Débora vendia açaí batido pros colegas de academia, guardado num isopor no porta-malas do carro. Começou como bico de fim de semana pra complementar a renda, mas em poucos meses a fila de pedidos já não cabia mais no isopor.
De onde ela saiu
Açaí é um dos produtos mais vendidos do Brasil em dias quentes, mas quem quer montar um ponto fixo esbarra no custo de aluguel de loja. Débora percebeu que um quiosque simples, numa esquina de movimento ou perto de uma praça, resolvia o problema sem o custo de um ponto comercial completo.
A virada
Ela alugou um espaço pequeno na calçada de um comércio já estabelecido, pagando uma taxa fixa mensal ao dono. O quiosque simples, com freezer e balcão, vendeu 30 açaís no primeiro fim de semana — mais do que ela vendia num mês inteiro no porta-malas do carro.
O CNAE certo para começar
A atividade se enquadra no CNAE 5611-2/03 — Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares, que cobre açaís, sucos e lanches rápidos vendidos em quiosque ou ponto pequeno. O DAS mensal do MEI é R$ 86,05, com exigência de alvará sanitário municipal.
Quanto custa começar
- Freezer/máquina de açaí: R$ 2.000 a R$ 3.500.
- Estrutura de quiosque ou barraca: R$ 1.500 a R$ 3.000.
- Insumos da primeira leva (açaí, granola, frutas): R$ 800 a R$ 1.200.
- Copos, colheres e utensílios: R$ 300 a R$ 500.
O investimento total fica entre R$ 4.500 e R$ 8.000, dependendo do tamanho da estrutura escolhida.
Passo a passo para replicar
- Abra o MEI com CNAE 5611-2/03 e verifique a exigência de alvará sanitário.
- Escolha um ponto estratégico: perto de academia, escola, praça ou praia.
- Defina um cardápio simples de acompanhamentos (granola, leite condensado, frutas).
- Ofereça entrega por WhatsApp para os dias mais quentes.
- Planeje o inventário de açaí considerando a sazonalidade — verão vende muito mais que inverno.
Quanto dá pra ganhar
Um açaí custa entre R$ 12 e R$ 25, dependendo do tamanho. Vendendo 60 a 80 unidades por dia no verão, o faturamento diário passa de R$ 800. Débora hoje vende cerca de 200 açaís por dia nos meses quentes, contrata um ajudante só no período de pico e fatura entre R$ 6.000 e R$ 9.000 por mês, dependendo da estação.
Erros que fazem gente desistir
O erro mais comum é não planejar a queda de vendas no inverno, comprando estoque como se fosse verão o ano inteiro. O segundo erro é escolher um ponto de pouco movimento só porque o aluguel é mais barato — localização pesa mais que economia de aluguel nesse negócio.
Hoje Débora tem o quiosque como principal fonte de renda, ajusta o cardápio conforme a estação e fatura muito mais do que vendia no porta-malas do carro.
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