Rodrigo fazia hambúrguer artesanal em todo churrasco de fim de semana, e os amigos sempre diziam a mesma frase: “isso aqui é melhor que hamburgueria”. Desempregado depois de um corte de pessoal, resolveu testar se aquele elogio valia dinheiro de verdade.
De onde ele saiu
Abrir um restaurante com salão custa caro demais para quem está começando: aluguel de ponto comercial, mesas, garçom. Rodrigo percebeu que dava para pular essa etapa toda vendendo só por delivery, direto da cozinha de casa — modelo conhecido como dark kitchen, sem salão nem atendimento presencial.
A virada
Ele postou o cardápio num grupo de bairro no WhatsApp, com fotos tiradas no celular mesmo. No primeiro fim de semana vendeu 40 hambúrgueres. No segundo, já não dava conta sozinho — a chapa pequena que usava virou o gargalo, e foi aí que investiu numa chapa profissional maior.
O CNAE certo para começar
Para venda exclusiva por delivery, sem mesas no local, o código correto é o CNAE 5620-1/04 — Fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar. O DAS mensal do MEI de serviço é R$ 86,05. É obrigatório verificar na prefeitura a exigência de alvará sanitário para produção de alimentos em casa.
Quanto custa começar
- Chapa profissional a gás: R$ 1.500 a R$ 2.500.
- Freezer ou geladeira extra para estoque: R$ 1.500 a R$ 3.000.
- Embalagens e insumos da primeira leva: R$ 1.000 a R$ 1.500.
- Fotos de cardápio e divulgação inicial: R$ 300.
O investimento fica entre R$ 4.000 e R$ 7.000 — fogão e utensílios básicos já existentes em casa ajudam a baixar o custo inicial.
Passo a passo para replicar
- Abra o MEI com CNAE 5620-1/04 e verifique a exigência de alvará sanitário.
- Monte um cardápio enxuto, com 3 a 4 opções fáceis de padronizar.
- Tire fotos de qualidade de cada item do cardápio, mesmo que com celular.
- Cadastre-se em plataformas de delivery e crie um canal direto pelo WhatsApp para reduzir taxa.
- Fixe um horário de funcionamento claro para não sobrecarregar a produção.
Quanto dá pra ganhar
Um hambúrguer artesanal costuma ser vendido entre R$ 25 e R$ 35, com custo de ingrediente em torno de R$ 10 a R$ 12. Vendendo 15 unidades por dia, o faturamento fica perto de R$ 400 diários. Rodrigo hoje vende cerca de 300 hambúrgueres por semana, contratou um ajudante para montagem nos dias de pico e fatura em torno de R$ 9.000 por mês direto da cozinha da garagem.
Erros que fazem gente desistir
O erro mais comum é montar um cardápio grande demais, o que complica a produção e encarece o estoque. O segundo erro é não calcular o tempo de preparo em horário de pico, gerando atraso que derruba a avaliação no delivery.
Hoje Rodrigo tem agenda de produção organizada por dia da semana e fatura mais do que faturava no antigo emprego, direto de casa, sem pagar aluguel de ponto comercial.
Leia também: O quiosque de R$ 6.000 que hoje vende 200 açaís por dia no verão.






