Ricardo consertava bicicleta dos amigos no quintal de casa desde adolescente, sempre de graça, só por gostar de mecânica. Depois de ser demitido de uma função administrativa, percebeu que essa habilidade de anos tinha valor comercial real, especialmente com a alta procura por bicicleta como meio de transporte.
De onde ele saiu
Bicicleta virou meio de transporte diário pra muita gente que quer economizar combustível ou fugir do trânsito. Ricardo via, no grupo de ciclismo urbano da cidade, gente reclamando que não tinha loja boa de bicicleta e peças perto de casa, só loja de departamento com produto ruim.
A virada
Ele alugou um ponto pequeno numa avenida de movimento e começou vendendo bicicletas de entrada e fazendo manutenção. O diferencial era o conhecimento técnico de quem já mexia em bicicleta havia anos — os primeiros clientes vieram justamente pela indicação de “conserto bem feito” que ele já tinha no bairro.
O CNAE certo para começar
A atividade se enquadra no CNAE 4763-6/03 — Comércio varejista de bicicletas e triciclos; peças e acessórios, permitido para MEI até o limite de faturamento, com grau de risco baixo.
Quanto custa começar
- Estoque inicial de bicicletas (modelos de entrada e intermediários): R$ 10.000 a R$ 14.000.
- Peças e acessórios de reposição: R$ 2.000 a R$ 3.000.
- Ferramentas de manutenção e bancada de trabalho: R$ 1.500 a R$ 2.500.
- Identidade visual e letreiro: R$ 500 a R$ 1.000.
O investimento total fica entre R$ 14.000 e R$ 20.500, sem contar aluguel do ponto comercial.
Passo a passo para replicar
- Abra o MEI ou ME com CNAE 4763-6/03.
- Comece com estoque enxuto de 2 a 3 modelos populares antes de diversificar.
- Ofereça serviço de manutenção além da venda — é o que gera receita recorrente.
- Divulgue em grupos de ciclismo urbano e trabalhadores que usam bike no trajeto diário.
- Ofereça parcelamento próprio para facilitar a compra de quem não tem cartão de crédito com limite alto.
Quanto dá pra ganhar
Uma bicicleta de entrada costuma ser vendida entre R$ 600 e R$ 1.500, com margem de 25% a 35%. Vendendo 8 a 10 bicicletas por mês, mais os serviços de manutenção, o faturamento fica entre R$ 8.000 e R$ 15.000. Ricardo hoje tem loja consolidada no bairro, atende encomenda de peça específica e fatura em torno de R$ 20.000 por mês.
Erros que fazem gente desistir
O erro mais comum é comprar estoque muito variado no início, sem saber quais modelos realmente vendem na região. O segundo erro é negligenciar o serviço de manutenção, que costuma trazer receita mais recorrente do que a venda de bicicleta nova.
Hoje Ricardo tem uma loja de referência no bairro para quem pedala, e fatura muito mais do que ganhava consertando bicicleta de graça no quintal de casa.
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