Dona Aparecida tinha uma máquina de costura Singer herdada da mãe, parada havia anos, usada só para bainha de calça de vez em quando. Aos 58 anos, depois que o marido se aposentou e a renda da casa apertou, ela resolveu perguntar no grupo do bairro se alguém precisava de ajuste de roupa. A resposta a surpreendeu: eram dezenas de pedidos represados.
De onde ela saiu
Ajustar barra de calça, trocar zíper, apertar cintura — são serviços que praticamente ninguém mais oferece perto de casa, porque as costureiras tradicionais do bairro foram se aposentando sem substitutas. Ao mesmo tempo, a roupa comprada pronta raramente serve perfeitamente em todo mundo. Dona Aparecida via essa fila de “roupa parada no armário esperando ajuste” e não sabia que isso tinha valor comercial real.
A virada
Os primeiros ajustes foram cobrados quase de graça — R$ 10 por barra de calça, só para “ajudar as vizinhas”. Em poucas semanas, a fila de pedidos ficou maior do que ela conseguia entregar no mesmo dia. Foi aí que decidiu organizar preço por tipo de serviço e criar uma agenda de retirada, como um pequeno ateliê dentro de casa.
O CNAE certo para começar
O código correto para quem faz conserto, ajuste e reparo de roupas é o CNAE 9529-1/99 — Reparação e manutenção de outros objetos e equipamentos pessoais e domésticos não especificados anteriormente, que cobre justamente ajustes e pequenos reparos em peças já prontas. Se a atuação for voltada à confecção de roupa nova sob medida, o código correto passa a ser o CNAE 1412-6/02. O DAS mensal do MEI de serviço é R$ 86,05.
Quanto custa começar
- Máquina de costura básica (para quem ainda não tem): R$ 400 a R$ 800 usada.
- Linhas, agulhas, zíperes de reposição: R$ 100 a R$ 150 iniciais.
- Fita métrica e alfinetes: menos de R$ 30.
- DAS mensal: R$ 86,05.
Quem já tem máquina em casa, como Dona Aparecida, começa praticamente sem investimento — o custo maior é reposição de material de costura conforme os pedidos chegam.
Passo a passo para replicar
- Abra o MEI com CNAE 9529-1/99.
- Monte uma tabela de preço por tipo de ajuste (barra, zíper, cintura, forro) para não precisar negociar cada pedido do zero.
- Anuncie no grupo de bairro, condomínio e WhatsApp de vizinhança — esse público não busca no Google, busca por indicação local.
- Combine um dia fixo de entrega por semana para organizar a produção sem sobrecarregar um único dia.
- Depois de ganhar volume, considere parceria com lojas de roupa da região que não oferecem ajuste — elas indicam cliente direto.
Quanto dá pra ganhar
Um ajuste simples (barra, zíper) costuma custar entre R$ 15 e R$ 35; peças mais elaboradas, como vestido de festa, passam de R$ 80. Com uma rotina de 15 a 20 ajustes por semana, o faturamento mensal fica entre R$ 1.200 e R$ 2.000. Dona Aparecida hoje mantém agenda cheia com clientes fixos de duas lojas parceiras, faturando cerca de R$ 2.500 por mês, trabalhando as horas que ela mesma escolhe.
Erros que fazem gente desistir
O erro mais comum é não ter tabela de preço fixa e acabar cobrando menos do que o tempo do serviço vale, só para “não perder o cliente”. O segundo erro é aceitar volume maior do que a capacidade real de entrega, gerando atraso e reclamação — melhor recusar um pedido do que entregar fora do prazo combinado.
Hoje Dona Aparecida tem uma rotina leve, sem sair de casa, e complementa a aposentadoria do marido com uma renda que ela mesma construiu a partir de uma máquina parada no armário.
Leia também: Ele comprou uma impressora de R$ 900 e hoje fatura R$ 6.000/mês estampando camisetas em casa e O armário cheio virou loja online de R$ 3.000/mês.






