Wagner trabalhava numa borracharia fixa e via, quase toda madrugada, motorista parado no acostamento com pneu furado sem ninguém pra socorrer. A borracharia onde trabalhava fechava às 18h — e aquele problema de madrugada nunca era resolvido por ninguém do bairro.
De onde ele saiu
Motorista de aplicativo, caminhoneiro e quem dirige de madrugada não tem pra quem ligar quando fura um pneu fora do horário comercial. Wagner enxergou que existia demanda o dia inteiro, só faltava alguém disposto a atender fora do horário tradicional de borracharia.
A virada
Ele montou um kit móvel de reparo no próprio carro e começou a divulgar o número em grupos de motorista de aplicativo, oferecendo atendimento 24 horas. No primeiro fim de semana, atendeu quatro chamados de madrugada — cobrando uma taxa extra de deslocamento por horário noturno.
O CNAE certo para começar
A atividade se enquadra no CNAE 4520-0/06 — Serviços de borracharia para veículos automotores, permitido para MEI, com DAS mensal de R$ 86,05.
Quanto custa começar
- Compressor de ar portátil: R$ 800 a R$ 1.500.
- Kit de reparo (macaco, chave de roda, remendos e cola): R$ 1.000 a R$ 2.000.
- Estoque inicial de câmaras e remendos: R$ 800 a R$ 1.200.
- Cartão de visita e divulgação em grupo: R$ 300.
O investimento fica entre R$ 3.000 e R$ 5.000, sem contar o carro ou moto que a maioria dos interessados já possui.
Passo a passo para replicar
- Abra o MEI com CNAE 4520-0/06.
- Divulgue em grupos de motoristas de aplicativo e caminhoneiros, onde a demanda é constante.
- Ofereça atendimento 24 horas por WhatsApp, com taxa clara de deslocamento noturno.
- Busque parceria com seguradoras e aplicativos de guincho para receber chamados encaminhados.
- Priorize segurança no deslocamento noturno — pressa nunca compensa risco de acidente.
Quanto dá pra ganhar
Um atendimento de borracharia móvel costuma custar entre R$ 60 e R$ 120, incluindo a taxa de deslocamento. Fazendo 2 a 3 atendimentos por dia, o faturamento diário fica entre R$ 150 e R$ 300. Wagner hoje revezou o plantão 24h com um segundo profissional contratado e fatura cerca de R$ 9.000 por mês.
Erros que fazem gente desistir
O erro mais comum é não cobrar o deslocamento à parte do serviço, o que faz corridas longas não compensarem financeiramente. O segundo erro é dirigir com pressa por causa da urgência do cliente, aumentando risco de acidente no trajeto.
Hoje Wagner tem uma agenda de plantão organizada, atende em qualquer horário e fatura mais do que ganhava trabalhando de carteira assinada na borracharia fixa.
Leia também: Com R$ 2.500 em equipamento, ele lava carro na porta de casa do cliente e fatura R$ 8.000/mês.






