Sandra trabalhava como caixa de supermercado havia 12 anos, vendo de perto o dono do negócio lucrar enquanto ela ganhava salário mínimo. Quando um pequeno comércio fechou na esquina da sua rua, ela juntou as economias e o FGTS sacado numa demissão e decidiu: era a vez dela do outro lado do caixa.
De onde ela saiu
Morador de bairro residencial não quer pegar carro pra comprar pão, leite ou um item que faltou na feira da semana. Sandra sabia, pela experiência no caixa, exatamente quais produtos giram mais rápido e quais encalham — conhecimento que a maioria de quem abre mercadinho do zero não tem.
A virada
Ela alugou o pontinho que tinha fechado, já com balcão e geladeira usados inclusos no contrato, e investiu o capital em estoque e num freezer novo. Abriu com um cardápio enxuto de itens básicos e, no primeiro mês, já tinha clientela fiel que preferia comprar ali a pegar o carro até o supermercado grande.
O CNAE certo para começar
A atividade se enquadra no CNAE 4712-1/00 — Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios (minimercados, mercearias e armazéns), permitido para MEI até o limite de faturamento, com área de venda inferior a 300 m². Acima do limite do MEI, migra-se para ME no Simples Nacional, Anexo I.
Quanto custa começar
- Estoque inicial de mercadorias: R$ 8.000 a R$ 12.000.
- Geladeira e freezer expositor: R$ 3.000 a R$ 5.000.
- Balcão, prateleiras e sistema simples de ponto de venda: R$ 2.000 a R$ 3.000.
- Identidade visual e letreiro: R$ 1.000.
O investimento total fica entre R$ 14.000 e R$ 20.000, sem contar aluguel do ponto, que varia muito conforme a região.
Passo a passo para replicar
- Abra o CNPJ com CNAE 4712-1/00.
- Escolha um ponto num bairro residencial, longe de supermercado grande.
- Comece com um mix enxuto dos itens de giro mais rápido (pão, leite, ovos, bebidas, higiene básica).
- Negocie prazo de pagamento com fornecedor para não travar o caixa comprando tudo à vista.
- Ofereça entrega rápida por WhatsApp para pedidos pequenos do bairro.
Quanto dá pra ganhar
A margem média de um mercadinho de bairro fica entre 20% e 30% sobre o preço de venda. Com um giro diário de R$ 800 a R$ 1.200, o faturamento mensal fica entre R$ 24.000 e R$ 36.000. Sandra hoje tem dois funcionários, giro constante de clientes fiéis e fatura em torno de R$ 35.000 por mês, com margem líquida bem melhor do que o salário de caixa que recebia antes.
Erros que fazem gente desistir
O erro mais comum é comprar estoque variado demais logo no início, travando capital de giro em produto parado. O segundo erro é não negociar prazo com fornecedor, o que obriga a comprar sempre à vista e sufoca o caixa nos primeiros meses.
Hoje Sandra decide o próprio horário, contratou ajuda e fatura muito mais do que ganhava atrás do caixa de outra pessoa.
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