Diego trabalhava como operador de máquina numa fábrica, num turno que não deixava tempo para mais nada. A virada começou quando precisou de 30 camisetas personalizadas para a formatura do sobrinho e descobriu, pesquisando fornecedor, que a técnica de estampa por transferência (DTF) era mais simples e barata do que imaginava.
De onde ele saiu
Times de futebol amador, formaturas, aniversários, empresas pequenas que querem uniforme ou brinde personalizado — a demanda por camiseta, caneca e boné estampado nunca falta, mas gráficas grandes só aceitam pedido em lote alto. Diego enxergou a lacuna: quem quer 10, 20 ou 30 peças personalizadas fica sem opção boa perto de casa.
A virada
Depois de estampar as camisetas do sobrinho, três colegas da fábrica pediram o mesmo serviço para o próprio time de várzea. Diego cobrou pelo custo mais uma margem simples, sem saber ainda que aquilo virava negócio. No mês seguinte, um comércio do bairro encomendou 50 canecas personalizadas para o Dia das Mães — foi o pedido que pagou a segunda impressora.
O CNAE certo para começar
Para quem compra a peça, estampa e revende o produto pronto, o CNAE recomendado é o 1340-5/99 — Outras atividades de acabamento em fios, tecidos e artigos têxteis, que cobre estamparia, sublimação e DTF em peças do vestuário e outros materiais. Quando o serviço é só a estampagem, com o cliente trazendo a própria peça, o enquadramento passa a ser prestação de serviço via nota fiscal de serviço, mantendo o mesmo CNAE. O DAS mensal do MEI de comércio e indústria é R$ 82,05.
Quanto custa começar
- Impressora + insumos DTF (ou kit de sublimação): R$ 800 a R$ 1.500 para começar.
- Prensa térmica: R$ 300 a R$ 600 (modelo de mesa, entrada).
- Peças em branco (camisetas, canecas) da primeira leva: R$ 200 a R$ 400.
- DAS mensal: R$ 82,05.
É o nicho com maior investimento inicial da lista, mas ainda assim dentro do alcance de quem consegue juntar um valor equivalente a um bom celular usado — e o equipamento se paga rápido com poucos pedidos.
Passo a passo para replicar
- Abra o MEI com CNAE 1340-5/99.
- Comece com um equipamento de entrada (prensa e impressora básica) antes de investir em máquina profissional.
- Ofereça o serviço primeiro para grupos com demanda recorrente: times de várzea, escolas, pequenos comércios.
- Cobre por peça com preço escalonado (quanto maior a quantidade, menor o valor unitário) para incentivar pedidos maiores.
- Reinvista o lucro das primeiras encomendas em uma prensa maior ou segunda impressora antes de aceitar contratos grandes.
Quanto dá pra ganhar
Uma camiseta personalizada costuma ser vendida entre R$ 35 e R$ 60, com custo de produção entre R$ 15 e R$ 25. Vendendo 40 a 50 peças por mês, o faturamento fica entre R$ 1.400 e R$ 2.500. Diego hoje atende pedidos corporativos e de eventos maiores, produzindo canecas, camisetas e bonés, faturando cerca de R$ 6.000 por mês e contando com a ajuda do cunhado, contratado como funcionário, para dar conta da prensa nos dias de entrega maior.
Erros que fazem gente desistir
O erro mais comum é comprar equipamento caro demais antes de validar a demanda, travando o caixa logo no início. O segundo erro é não calcular o tempo de prensa por peça no preço final, o que faz pedidos grandes parecerem lucrativos no papel e não sobrarem no fim do mês.
Hoje Diego trabalha de casa em horário próprio, já trocou o turno da fábrica pela rotina da prensa e fatura mais do que fatura no antigo emprego CLT.
Leia também: A máquina de costura parada no armário virou fonte de renda de R$ 2.500/mês e O armário cheio virou loja online de R$ 3.000/mês.






